Doyle Brunson aposta em Darvin Moon

Desde que ficamos a conhecer os 9 finalistas do Main Event das World Series of Poker deste ano (os November 9), que as opiniões sobre quem irá vencer se acumulam. Opiniões que agora vão ganhando outro formato, transformadas em apostas.

Dois dos maiores nomes do Poker Mundial decidiram apimentar a coisa, e apostaram entre si sobre quem acham ser o favorito. Daniel Negreanu e Doyle Brunson decidiram colocar tudo preto no branco e acordaram uma aposta, Daniel Negreanu confia na experiência de Phil Ivey, enquanto que Brunson não consegue fechar os olhos à enorme vantagem de Darvin Moon.

Brunson admite que gostava de apostar em Ivey, mas o facto de Darvin Moon ter uma stack cinco vezes superior à do Tiger Woods do Poker, levou-o a tomar a decisão mais sensata.

A final table do Main Event das World Series of Poker começa a disputar-se no próximo fim de semana, aqui no PokerPT.com, poderão ficar a saber tudo o que se passa em Las Vegas.

November 9 – WSOP 2009

Caminhamos a passos largos para o final do Main Event das World Series of Poker. Este novo formato dos November 9, dá-nos 3 meses de ansiedade até conhecermos o Campeão Mundial de Poker. Aos jogadores é também permitido evoluir, ter aulas, delinear estratégias enquanto a grande fatia do prizepool rende uns juros no banco.

No dia 7 de Novembro voltaremos a ouvir “Shuffle up and deal” no Rio All-Suit Casino, mais propriamente no Anfiteatro Penn & Teller onde a acção só parará quando forem encontrados os dois últimos sobreviventes. Domingo é dia de descanso e segunda-feira , os November 9 ficam reduzidos a um só, o Campeão do Mundo, depois do heads up agendado para esse dia onde estão em jogo não só 8.5 milhões de dólares como a bracelete de vencedor do Main Event da WSOP.

Vamos dar a conhecer o perfil de cada jogador por ordem crescente de fichas, mas para já tomem nota da disposição da final table:
  • Lugar  1: Darvin Moon – 58,930,000
  • Lugar 2: James Akenhead – 6,800,000
  • Lugar 3: Phil Ivey – 9,765,000
  • Lugar 4: Kevin Schaffel – 12,390,000
  • Lugar 5: Steven Begleiter – 29,885,000
  • Lugar 6: Eric Buchman – 34,800,000
  • Lugar 7: Joe Cada – 13,215,000
  • Lugar 8: Antoine Saout – 9,500,000
  • Lugar 9: Jeff Shulman – 19,580,000
“OS TRÊS SHORTSTACKS “
James Akenhead – 6,800,000 fichas
26 anos, Inglaterra
James Akenhead é residente em Londres e teve o primeiro contacto com o Poker com 20 anos, numa altura onde a sua vida profissional era dedicada a conduzir comboios. Apesar de nessa altura considerar o poker como um jogo estimulante, era apenas um hobbie que partilhava com um grupo de amigos, com o qual estudava e evoluía no jogo.
Aos 23 anos, este jovem jogador decidiu deixar o amadorismo e passar a ser um profissional de poker. Esta decisão chegou, quando numa só noite de Poker Online conquistou prémios de valor superior a um ano de ordenados no seu emprego normal.

Desde então, o seu grupo de poker buddies, que dá pelo nome de TheHitSquad, é um dos grupos de poker mais conhecidos na europa e espalham o terror em torneios ao vivo e acumulam grandes resultado. Este jovem inglês tem ganhos superiores a $800.000 em torneios tendo conseguido o seu resultado mais marcante, em 2008 em Las Vegas, no evento #2 No Limit Holdem das WSOP com um buy in de $1.500.

James viu escapar-lhe por entre os dedos a sua primeira bracelete, quando em Heads Up conseguiu que o seu oponente, Grant Hinkle fosse all in com T4 face ao seu AK. Um flop TT4 negou-lhe o objectivo de conquistar uma bracelete. Ficou a alegria da conquista do prémio monetário no valor de $520,000. Em 2008 entrou para a equipa de jogadores profissionais da Full Tilt Poker, fruto dos seus bons resultados em No Limit Hold’em e Omaha.
O seu percurso neste Main Event não foi fácil. Logo nas primeiras jogadas sofreu um grande rombo na sua stack com KK frente a AA. Mas a sua paciência e calma mostraram-se fulcrais e determinantes no seu caminho para a mesa final.
É o único  jogador inglês em prova e é o jogador com menos fichas. Nos últimos meses participou em diversos torneios europeus com destaque para a sua participação na final table da WSOPE onde ficou classificado na 9ª posição.
Antoine Saout – 9,500,000
25 anos, França
Natural de Saint Martin des Champs, em França, Antoine Saout chega à Final table como o jogador mais inexperiente. Conheceu o jogo de Poker há menos de 18 meses e nesse período conseguiu conquistar uma entrada no Main Event da WSOP por $50 e ultrapassar 6,440 jogadores para chegar a final table onde já garantiu 1.2 milhões de dólares.
Colocou de parte os estudos de Engenharia para se dedicar a 100% ao Poker, sendo presença assídua da Spanish Poker Tour. Antes da WSOP não existia registo de grandes resultados ao vivo, no entanto este jovem francês regressou diferente de Las Vegas. Reconhecida a sua extrema agressividade nas mesas e com um lugar marcado nos November 9, Saout regressou à Europa e mostrou o seu valor já como jogador profissional da Everest Poker.
Participou no Partouche Poker Tour e no EPT Barcelona onde se destacou como chip leader, fez 40º lugar no WPT Marraquexe e na WSOPE conquistou um 7º lugar.
Em visita a Portugal, conquistou também vários prémios da etapa de Vilamoura da Spanish Poker Tour. Ninguém fica indiferente a este jogar que admite não ter medo ou receio dos seus oponentes e está plenamente confiante no seu jogo.
É o segundo jogador com menos fichas e a sua táctica é clara, tentará dobrar nas primeiras mãos.  Os seus três últimos dias de torneio foram os mais difíceis, uma vez que ficou sentado à esquerda de Phil Ivey.
Tendo em conta a inexperiência de Saout e as suas fichas é pouco provável que o próximo campeão do Mundo seja francês, mas se surgir 1 ou 2 double up´s pode vir a tornar-se temível por não ter pressão nenhuma nos seus ombros.
Phil Ivey, 9,765,000
33 anos, Califórnia
Phil Ivey é sem sombra de dúvida a personalidade mais mediática dos November 9 de 2009 e a bracelete do Main Event das World Series of Poker é dos poucos troféus que faltam na sua colecção.
Começou a jogar com um bilhete de identidade falso nos clubes de poker americanos e logo aí o seu valor foi reconhecido. Daí até chegar a Las Vegas foi um pequeno passo e não tardou a entrar nos jogos mais caros da cidade.
Em 2000,  chegou a duas final tables da WSOP e conquistou a sua primeira bracelete num evento de Pot Limit Omaha de $2.500 derrotando Amarillo Slim, Phil Hellmuth e Devilfish.
Em 2002 conquistou mais 3 braceletes em várias vertentes do jogo, sendo admirado pela sua abilidade em qualquer vertente. Em seguida dedicou-se aos cash games e é dos jogadores mais temidos nas mesas de High Stakes.  Faz parte da equipa de profissionais da Full Tilt Poker e é frequente encontra-lo nos grandes jogos online. Actualmente vive em Las Vegas com a sua esposa e é regular nos jogos de $4.000/$8.000 do Bellagio.
Phil Ivey é o jogador que ninguém quer ter na sua mesa. A sua PokerFace é inquebrável, o seu olhar analista é frio e incomoda o mais sério dos jogadores. A sua genialidade é mundialmente reconhecida, sendo muitas vezes chamado de “Tiger Woods” do Poker.
É considerado por muitos o melhor jogador do mundo e de todos os finalistas é o que tem mais experiência. Apesar de ser o 3º com menos fichas continua a ser um dos principais candidatos e o jogador mais temido entre os November 9.
Os fóruns de poker a nível mundial vão apoiar a 100% este jogador por considerarem que seria o exemplo máximo de que o poker é um jogo de skill e não de sorte.

Antoine Saout: Entrevista exclusiva

O francês que assinou pela Everest Poker depois de alcançar a mesa final do Main Event das World Series Of Poker confessou, em entrevista exclusiva ao PokerPT.com, que não esperava chegar tão longe no maior torneio do Mundo. Admite que nunca estudou o jogo e, embora reconheça que deveria ter esse cuidado, mostra-se confiante numa boa prestação a partir de sábado, em Las Vegas. Depois disso, é possível que o encontremos de novo em Vilamoura, por ocasião da etapa do European Poker Tour.

PokerPT.com – Como se sente por ser um dos November Nine?
Antoine Saout Sinto-me bem. Fiz um bom torneio em Vegas, um torneio enorme com muitos jogadores, com um grande buy-in. Concentrei-me em dar o meu melhor e, depois, assinei o contrato de patrocínio com a Everest Poker.

PKPT – Como é se sente depois de voltar de Vegas com mais de 1 milhão de dólares, facto que lhe permitiu integrar a equipa da Everest Poker? Sente-se entusiasmado?
A.S. – Sinto-me bem. É sempre difícil chegar à Everest mas tive uma boa prestação no torneio. Cheguei ao Main Event e foi então que assinei o acordo. Estou muito contente pelo contrato que fiz, pois permite-me fazer os circuitos. E já comecei a fazer alguns, como o SPT em Vilamoura. Logo, vou ganhando prémios e espero continuar assim e tirar o maior proveito deste contrato.

PKPT – E qual é a sensação de voltar de Las Vegas mais rico 1 milhão de dólares?
A.S. – Penso, essencialmente, no impacto que isso teve nos media, quando via o jornal ou a televisão e apercebi-me da grande dimensão que tudo isso tinha. Depois percebi que, realmente, a minha conta tinha crescido. Uma pessoa acaba por pensar em adquirir alguns bens ,como um carro ou uma casa porque, de facto, trata-se de um valor enorme. Mas, particularmente ainda não pensei nisso. É, de facto, uma soma gigante e ganhá-la num torneio como este, o maior do Mundo, é extraordinário.

PKPT – Se antes do Main Event das WSOP alguém lhe perguntasse o que se iria passar, o que é que lhe responderia?
A.S. –
Que esperava fazer um bom torneio, que tinha a ambição de ficar nos lugares pagos mas que nunca esperava ser um dos últimos nove jogadores, mesmo tendo em consideração a estrutura do torneio e os níveis que se jogam em Las Vegas.

PKPT – Depois de se qualificar para a mesa final das WSOP, teve a preocupação de ver os vídeos dos outros oito jogadores? O que pensa do jogo deles?
A.S. –
Ainda não vi vídeos dos outros oito jogadores. Eles devem ter falado em entrevistas e tudo isso mas, entretanto, não vi nada. Tenho visto algumas coisas pela televisão e vi também o histórico deles através da internet, as suas “performances” passadas, os seus resultados online…

PKPT – Apesar de não ter visto os vídeos dos seus adversários, existe algum que o intimide um pouco mais do que os outros?
A.S. – Particularmente, não. Porque até numa mesa final eu pratico exactamente a mesma “ciência dos torneios” e sei que irei confiante para enfrentar todo o mundo, aumentar as fichas, construir a minha stack. Penso que não se trata, por isso mesmo, de um caso particular.

PKPT – Depois de se tornar num dos November  Nine, quando se senta numa mesa online ou ao vivo, acha que existe um factor positivo ou, talvez, um factor negativo relativamente à maneira como os seus adversários o vêem e jogam consigo?
A.S. –
Penso que existe, essencialmente, um aspecto positivo. Existem muitos adversários que querem jogar comigo, que me pagam e me analisam, que cobrem as minhas apostas, que me fazem bluff e que, afinal,  até nem têm grandes saídas… Mas isso é bom para mim. Penso que isso é um factor positivo.

PKPT – Após a sua qualificação para a mesa final, tomou a iniciativa de estudar um pouco mais? Gostaria  de aprofundar alguns pontos no seu jogo para melhorar o seu nível de poker?
A.S. –
Ainda não estudei muito sobre o jogo. Nunca li um livro ou uma revista. Deveria fazê-lo para melhorar os meus conhecimentos de pot odds , selecção de mãos, etc. No entanto, penso que o meu jogo melhorou desde Las Vegas. Tenho jogado de uma forma muito mais agressiva, como alguns tiveram a oportunidade de testemunhar aqui e no PPT de Cannes. Isso ajudou muito o meu jogo e penso que tenho ainda que melhorar. Afinal de contas, ainda só passaram dois anos desde que comecei a jogar!

PKPT – Sente alguma ansiedade para que comece a mesa final?
A.S. – Não necessariamente.  Quando chegar o dia, certamente estarei bem preparado e passarei uma boa imagem. Agora, até à data, esperarei tranquilamente.

PKPT – Depois de se ter qualificado para a mesa final, com todo esse dinheiro, houve algum momento em que cometesse uma pequena ou uma grande loucura com alguma coisa que comprasse?
A.S. –
Ainda não tive tempo. Estou um bocado apertado pela imprensa e a fazer negociações com a Everest. Por isso ainda não tive a oportunidade de ser excêntrico. Mas já dei uma vista de olhos a alguns carros… A minha primeira loucura será mesmo um carro e, mais tarde, pensarei num apartamento ou numa casa.

PKPT – Houve quem ficasse surpreendido por vê-lo jogar no Spanish Poker Tour. O que lhe interessa realmente é jogar Poker, não tendo grande importância o buy-in, quer seja um Main Event das WSOP, quer seja um torneio de €100. É verdade?
A.S. – Sim. Em Vegas terminei em terceiro lugar no Main Event e isso enerva-me um bocado, sair dessa forma. Mas tenho amigos que estiveram também no Spanish Event e acabei por me divertir bastante e por passar um bom fim-de-semana em Portugal. Adoro o Poker. É a minha paixão, logo,  sempre que tenho a oportunidade de me lançar nos torneios para jogar noutro nível, faço-o. Funciona sempre assim.

PKPT – Que tipo de poker joga online? Joga habitualmente Sit and Go’s, MTT’s ou cash? Que limites joga mais frequentemente?
A.S. –
Na Everest jogo, sobretudo, torneios Sit and Go de $10+1 de buy in, todos os torneios à noite ou ao fim-de-semana, como os 100.000 garantidos. Por vezes também faço Heads-Up, sempre Sit and Go, de $50 ou $100. Quanto a cash games, de vez em quando jogo de $1/$2 ou $2/$4.

PKPT – Lembra-se de algum torneio que lhe tenha corrido muito bem e de outro que, pelo contrário, tenha sido uma catástrofe, em que todas as mãos e jogadas tenham sido más?
A.S. – Lembro-me do European Poker Championship, no ano passado. Foi nesse mesmo torneio que sinto que joguei verdadeiramente poker. O primeiro dia correu muito bem e o segundo também. No terceiro dia joguei mal, tendo jogado um Ás-Rei contra Ases. É claro que tudo isso me marcou mas é preciso ganhar experiência. Entretanto, também estive em Cannes, onde fiz 3 dias enormes e fui chipleader em todos eles. Nesse caso pratiquei um excelente nível de poker.

PKPT – Há muitos franceses que participam no SPT, tal como David Colin e Christian Debeil que se têm revelado excelentes jogadores. Reconhece o seu valor? Recomendaria estes jogadores para fazerem parte da própria Everest Poker?
A.S. –
Penso que sim. Conheço muito bem a equipa da Everest e estou habituado a jogar pela mesma. Logo, conheci bastantes  jogadores  e, ao vivo, conheci Christian Debeil e também David Colin, que ganhou mesmo em Castilha. Debeil também esteve no heads-up desse evento. Penso que são dois excelentes jogadores e que deveriam fazer parte da team Everest.

PKPT – Mas do ponto de vista da reputação global, os jogadores franceses são categorizados como tendo um estilo de jogo não muito bom, sendo bastante loose e, por vezes, demasiado agressivos. Sente isso por parte dos jogadores da sua nacionalidade? Ou acha que os franceses têm evoluído ao longo do tempo?
A.S. –
Isso depende das várias impressões de cada país. Os franceses têm mostrado, quanto muito, o seu bom nível e, hoje em dia, fazem parte do top 100 ou 200 dos melhores do Mundo. Há jogadores franceses com diferentes níveis e com estilos de jogo também diferentes. Existe também um caso de um jovem jogador, da região de Rennes, que também esteve num EPT. E isso é muito bom.

PKPT – No mundo do Poker existem jogadores, não necessariamente franceses, que admira particularmente e considera como referências?
A.S. – Não leio revistas, livros nem nada disso. Logo, não tenho verdadeiras referências. Aprendi a jogar poker por mim mesmo. Mas há jogadores que gosto de acompanhar.  Gosto das suas leituras e do seu jogo mas, mesmo assim, não conheço especificamente o jogo deles, só mesmo a imagem. Prefiro concentrar-me no meu jogo do que no dos outros.

PKPT – Como foi a sua estadia em Vilamoura a jogar no SPT? Foi a primeira vez que veio a Portugal? O que é que pensa do lugar em si, do sol, da praia?
A.S. –
Já fiz vários SPT mas esta foi a primeira vez que estive em Portugal, em Vilamoura. Achei as pessoas bastante simpáticas, estava um óptimo tempo. No casino também todos eram simpáticos e toda a gente estava habituada a jogar poker. Foi um bom momento, passado em conjunto. Foi muito agradável e conheci excelentes jogadores.

PKPT – Vamos ter uma etapa do EPT em Portugal, de 17 a 22 de Novembro. Depois da experiência que viveu no SPT de Vilamoura, faz parte dos seus planos participar nesse evento?
A.S. – Tenho feito todos os torneios do EPT, portanto tenho em mente estar presente no de Vilamoura. Depende também dos resultados que obtiver em Las Vegas. Se tudo correr bem, lá estarei.

PKPT – Como é que se imagina daqui a 5 anos?
A.S. – Espero, daqui a 5 anos, continuar a jogar Poker, a fazer uns bons anos, como este. Seria um bocado pesado fazer torneios todas as semanas, por isso faria dois torneios por mês, ou algo assim; mas espero fazer carreira no Poker para ter uma vida tranquila assegurada. Depois, também o faço por paixão…

California Split

É um filme de Poker? Não, mas tem muitos jogos de Poker. É bom? É muito bom. Talvez o melhor filme que alguma vez vi sobre Gambling.

O génio do falecido Robert Altman, o mesmo realizador do meu favorito “The Player”, sobressai nesta magnifica produção da década de 70. Uma bela história desse belo desporto, o Gambling. Sim, li isto algures, é um desporto considerando a pressão física e psicológica a que os gamblers estão sujeitos!

Califórnia Split conta as “aventuras” de Bill e Charlie, dois gamblers compulsivos que se conhecem numa sala de Poker na Califórnia. Um sai a ganhar, o outro a perder e assim começam a sua relação. Vão a uma casa de strip, bebem uns copos e à saída são assaltados, pelo jogador que tinha perdido o dinheiro todo. Charlie oferece a sua “casa” a Bill e dirigem-se para esta, no intuito de recuperar e descansar. Depressa se apercebem dos valores que têm em comum, ganham confiança um no outro e embarcam numa frenética viagem pelo mundo das apostas.

Charlie partilha a casa com duas prostitutas, Barbara e Susan. Estas são o espelho da fragilidade daquele submundo e do tipo de relações que se podem ter neste tipo de ambiente.

Charlie é eufórico e arrasta Bill para esta roda-viva. Vão às corridas de cavalos e ganham, vão a um combate de boxe e, no meio do público, começam a fazer apostas paralelas com as cadeiras do lado, e ganham! No fim do combate, há uma zaragata entre 2 espectadores e eles apostam em quem ganhará. Por incrível que pareça, no parque de estacionamento são assaltados! Bill aceita e tem receio mas Charlie não admite perder tudo o que ganharam para um larápio e divide com este os lucros!

Bill tem uma dívida com um bookie e arrasta Charlie para Reno. Pretende fazer uma sessão de jogo para pagar a dívida. Jogam Poker com Amarillo Slim, jogam Blackjack, jogam Roleta, jogam Ccrabs… Ganham, ganham, e ganham… No fim, tinham 82 mil dólares quando tinham cerca de 2 mil no início da sessão. Mas na última jogada de Crabs, Bill fica apático, como se o sangue já não lhe corresse nas veias…

O moral da história não é que ser Gambler é bom, bem pelo contrário. O guião é bem sensato. Depois das mais inacreditáveis histórias vividas pelos 2, pelas vivas sensações que sentimos das mesas, é fácil perceber que há mais na vida do que jogar e ter dinheiro.

Esta longa caminhada leva-os a este ponto. Charlie continua eléctrico mas sente que não há mais nada para fazer. Bill pára para pensar. Não há mais nada… O sonho do gambler estava concretizado. A única opção? Ir para casa… Casa no sentido figurativo, ou seja, o abandono do Mundo do Jogo pois nunca mais iriam ter aquela “rush”.

George Segal, de “Just Shoot Me” e Elliot Gould, de Ocean’s Eleven, fazem uma excelente dupla. Robert Altman conseguiu, com sucesso, uma combinação credível para este tipo de filme. O guião ajudou mas a interpretação, com muita divagação e improvisação, torna esta viagem pelo Mundo do Jogo como algo fantástico. Altman consegue dar uma visão bem clara do Mundo onde eles vivem. As personagens têm vida, têm peso, mesmo as secundárias, e parecem genuínas e reais.

O filme é extremamente interessante, uma obra obrigatória para qualquer jogador. É interessante pela história, é interessante para ver a progressão de Robert Altman, é interessante saber que Robert De Niro foi ponderado para o lugar de Elliot Gould, é interessante saber que o filme quase não foi feito pois os estúdios queriam um filme de Máfia, é interessante ver Jeff Goldblum, o mesmo de “A Mosca”, numa fase inicial da sua carreia, é interessante saber que os figurantes são todos ex-toxicodependentes, etc…

Quanto a banda sonora, nada a salientar. Não é o ponto forte desta película, nem precisa. De relevo, o facto de Californa Split ter sido o primeiro filme de sempre a ser gravado em oito faixas stereo, o que permitia a sobreposição de sons, incluindo diálogos.

Um must see!

No próximo mês, mais um Poker movie.

Stay tuned.

Por Por Ricardo “Cacopt” Pinto

The Cincinnati Kid

O melhor filme de Poker de Sempre? Se considerarmos que grande parte da acção do filme se passa em torno de uma mesa de pano verde e tudo resto é secundário, sim, este é o melhor filme de Poker de sempre!

New Orleans é o local, Eric Stoner é o gambler, um jogador que acredita ser o melhor do Mundo. Convencido, charmoso e confiante, pretende desafiar um outro jogador que, os que o rodeiam, consideram ser o melhor e até mesmo imbatível. Assim, numa sala preparada para a ocasião, Stoner pode enfrentar Lancey Howard, um jogador respeitado, implacável e uma das melhores poker faces do mundo underground do Poker. O jogo era Five Card Stud e estavam reunidas as condições para uma luta quase interminável.

Fora do Poker, Stoner namora com Christian, uma relação de altos e baixos mas forte. A sua parceira não encara com bons olhos as decisões e estilo de vida de Stoner. Shooter é uma das pessoas mais próximas de Eric e ajuda-o a preparar o derradeiro encontro. Shooter é casado com Melba, uma femme fatale de atributos extraordinários, que quer ter Stoner a todo custo.

Apesar de ter um argumento com as condições necessárias para ser um grande filme, acaba por ser mal explorado, em termos de realização. Steve McQueen no papel de Eric Stoner faz aquilo que lhe compete, e bem. Numa altura em que a rivalidade com Paul Newman era enorme, The Cincinnati Kid vem tentar sobrepor a imagem de bad boy criada por Newman em “The Hustler”, o mítico Fast Eddie Felson de 1961.

O elenco acaba por dar vida a uma realização básica e pouco elaborada. Norman Jewison foi uma segunda escolha. Karl Malden como Shooter é brilhante ao representar um underground shark, que se mexe bem e conhece os cantos à casa. O falecido Edward G. Robinson é Lancey Howard e o seu papel é desempenhado com uma classe acima da média. Dá à personagem a textura que era precisa, sendo um adversário à altura do nosso herói. Quanto à parte feminina, foram escolhidas duas pin ups, duas sex symbols da altura. Tuesday Weld é a namorada conservadora e moralmente séria, Ann Marget, uma Deusa de lingerie que transpira sexy.

Quanto à banda sonora, temos uma New Orleans recriada em toda a sua potencialidade. Desde o jazz funeral, que abre o filme, até à blues band que toca no The Quarter. Com alguns sons notáveis temos Ray Charles a tocar o tema de Abertura.

Extremamente inovador para a época, vejo-o como um passo em frente em todas as direcções. No jogo, na representação, nos diálogos, na abordagem ao tema, na exposição de temas como o adultério e a traição. Temas que julgo serem um pouco tabus para a década de 60. Sem James Dean, com Paul Newman a brilhar e Steve McQueen a criar uma reputação sem precedentes, tínhamos iniciado uma cultura pop do Mister Cool ou do Cool Bad Boy.

No próximo mês teremos a review de outro Poker Movie.

Stay tuned.

Por Ricardo “Cacopt” Pinto